22 setembro 2016

Falando sobre Tecidos. Tipos e aplicações!

Olá, hoje, vamos falar sobre tipos de tecidos e onde eles podem ser utilizados. 
Essa matéria é lá do site Maximus Tecidos Finos, boa leitura, bom proveito, todo conhecimento é útil na hora de produzir uma bela peça!

Conhecer a origem e as principais características dos tecidos é fundamental para fazer a escolha certa. Por isso, criamos um Dicionário de Tecidos repleto de informações que vão te auxiliar na hora da compra. Antes de começar, é preciso esclarecer alguns conceitos básicos que vão facilitar o entendimento do que vem adiante. Vamos lá?!


TECIDOS EM FIBRAS NATURAIS:

São tecidos feitos a partir de matérias-primas presentes na natureza. Possuem um valor agregado bem superior aos sintéticos, mas demandam também muito mais cuidado. Estes tecidos não absorvem o calor, são bem fresquinhos, mas não podem, em hipótese alguma, ser mergulhados em água. A lavagem precisa ser à seco.

Lavar um tecido com fibra natural é condená-lo à morte. Alguns ficam com algumas pontas mais curtas e outras mais longas, outros encolhem de 1 a 2 números e outros ficam completamente deformados. Então, não esqueça: mantenha suas peças confeccionadas com fibras naturais bem longe da máquina de lavar!

TECIDOS EM FIBRAS SINTÉTICAS:

São aqueles tecidos cujas fibras são produzidas a partir de produtos químicos como o poliéster. São mais duráveis e fáceis de cuidar, podendo ser lavados sem problemas, porém são menos sofisticados do que as fibras naturais.

ALFAIATARIA

O alfaiate talvez tenha uma das profissões mais antigas do mundo. Foi ele quem deu início ao movimento de moda que vivenciamos hoje. No início da sociedade, o homem se vestia apenas como uma forma de cobrir o corpo e se proteger das variações de temperatura. Depois do Renascentismo, no fim do século XIV e início do século XVII, surgiu uma preocupação estética, e o corte e o tecido de uma roupa passaram a ser valorizados. Isso proporcionou ao alfaiate um papel de destaque, e desde então essa arte de produzir peças exclusivas, com conforto e qualidade vem crescendo e se reinventando.

Composição: os tecidos usados na alfaiataria podem ser em microfibra, lãs frias como o gabardine, sarjas, fibra com elastano e fibra de bambu.

Caimento: costumam ser tecidos um pouco mais grossos, mais pesados, com bom caimento para peças específicas
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Utilização: os tecidos de alfaiataria são excelentes para confecção de blazers, calças, coletes e ternos, tanto masculinos quanto femininos.
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*DICA DE COSTUREIRA: Os ternos e paletós confeccionados com tecidos de fibras naturais são indicados para os executivos que precisam estar bem-vestidos o dia todo e costumam trabalhar em ambientes climatizados. Para estas peças, a dica é usar sempre um forro de acetato, porque ele possui uma boa qualidade e absorve bem o calor.

TECIDOS

ALGODÃO

Mais antigo que o alfaiate é o algodoeiro. As fibras branquinhas obtidas dos frutos de algumas espécies de plantas do gênero Gossypium, família Malvaceae já eram utilizadas em 4.500 a.C. pelos Incas, no Peru, e a Índia e a Etiópia foram as primeiras a tecer peças de algodão em 3000 a.C. No entanto, o país que ficou mundialmente conhecido pelo cultivo do algodão foi o Egito. Devido ao clima e ao solo extremamente favoráveis, o algodão egípcio plantado às margens do Rio Nilo é muito mais forte e macio. É a fibra mais usada no mundo. Hoje, quatro tipos de algodão são utilizados na indústria têxtil: upland, cultivado na América Central e Caribe; egípcio; sea-island, das ilhas do sudeste da América do Norte e das Índias Ocidentais; e o asiático, proveniente da Ásia Meridional.

Composição: o algodão, em si, já é uma composição de grande parte dos tecidos. Como exemplo podemos citar o tricoline e o veludo.

Caimento: o caimento de uma peça em algodão depende diretamente da quantidade de fios que ela possui. Quanto mais fios, melhor é o seu acabamento e sua durabilidade.

Utilização: a linha de camisarias lidera a utilização do algodão. No entanto, ele pode ser usado também para fazer calças, bermudas, vestidos e outras peças mais esportivas, de uso rotineiro. Gravatas também costumam ser feitas de algodão.

*DICA DE COSTUREIRA: Para a confecção de camisas, especialmente quando o algodão é mais claro, o indicado é sempre utilizar tecidos com mais de 80 fios. Isso evita que a peça fique transparente demais e, principalmente para os homens, deixe à mostra o que não precisa ser visto.

CETIM

O cetim surgiu na China e era usado para descrever um tipo de seda luxuosa. Era o tecido utilizado pela nobreza da época e por membros do alto escalão da Igreja Católica. Chegou à Itália durante o século XII e por volta do século XIV já estava presente em toda a Europa.

Composição: existe uma grande variedade de cetins com composições diferentes. Temos o cetim leve, cetim com elastano, sem elastano, cetim charmeuse. Todos são bem parecidos com a seda, apesar de serem mais baratos e mais fáceis de cuidar. Alguns outros tecidos que possuem aparência acetinada também entram na gama dos cetins, como os crepes Lorraine e Nuage. O cetim pode ser liso ou estampado.

Caimento: é um tecido um pouco mais pesado, mas que costuma ter bom caimento, dependendo da sua composição.

Utilização: alguns cetins de qualidade inferior costumam ser utilizados apenas como forro. É o caso do cetim Charmeuse e do cetim com elastano. Os demais, porém, são indicados especialmente para a Moda Noiva, na confecção de vestidos com saias esvoaçantes, no corte godê, ou no corte sereia. Também podem ser utilizados para confeccionar camisas.

*DICA DE COSTUREIRA: Na confecção de vestidos de noiva, uma dica é apostar nos cetins importados porque eles são mais largos (aproximadamente 1,60m) do que os cetins nacionais (1,40m). Isso faz com que a costureira ganhe na hora do corte. Quando utilizado para forro, normalmente se escolhe o lado mais brilhoso do cetim.

CHIFFON

Pouco se sabe sobre a origem do chiffon, mas há registros de que desde 1700 ele era utilizado na Europa como sinônimo de status, riqueza e poder.

Composição: existe o chiffon sintético (100% poliéster) e o chiffon toque de seda. Ambos são levemente transparentes, mas o sintético é um pouco mais seco.

Caimento: é um tecido leve, fino, mas que tem um certo peso. Não chega a dar volume para as peças, mas proporciona um bom caimento.

Utilização: é utilizado, especialmente, em saias bem amplas, esvoaçantes e godês. É um tecido mais na linha popular, de qualidade inferior ao musseline, por exemplo.

*DICA DE COSTUREIRA: Com o chiffon, é possível fazer saias com godê simples ou duplo, lembrando sempre que este é um tecido que pede forro e que, por ser bem maleável, é preciso ter muito cuidado na hora de costurar.

CREPE

O nome "crepe" deriva do francês e quer dizer "crespo". É um tecido com toque mais áspero e aspecto seco, opaco e granulado.

Composição: é feito com fios altamente torcidos de seda ou lã (natural ou sintética) e apresenta uma variedade imensa de espessuras. Alguns são mais finos, médios, pesados, com elastano ou sem elastano (planos). Existem diversos tipos de crepes, como o crepe da China, crepe Georgette, crepe Marroquino e o crepe Chanel (com um lado brilhante e outro fosco).

Caimento: é bem maleável e possui um bom caimento, que pode variar de acordo com o tipo de crepe escolhido.

Utilização: é um tecido indicado para a confecção de saias, vestidos e blusas.

*DICA DE COSTUREIRA: O crepe, independente da espessura escolhida, sempre pede um forro. No caso de ser um crepe com elastano, indica-se um forro também com elastano e vice-versa.

DEVORÊ

O devorê, também conhecido como 'burnout' é, na verdade, uma textura criada através de um processo químico que destrói uma parte do tecido, fazendo com que ele ganhe relevos e transparências. É um tecido proveniente da França e seu nome significa “devorar”.

Composição: os desenhos em relevo do devorê, geralmente florais, animais prints ou arabescos, costumam ser aveludados e podem ser aplicados em diferentes tecidos, como o tule ilusion, o gazar, o musseline, a seda e o veludo.

Caimento: vai depender muito do tecido onde está aplicado.

Utilização: é usado na moda feminina, especialmente em vestidos de festa.

*DICA DE COSTUREIRA: Para a confecção de peças de inverno, recomenda-se o veludo devorê. Para peças de verão, prefira a seda devorê.

DEGRADÊ

Os tecidos degradês são aqueles cujas estampas apresentam mudanças gradativas na tonalidade de cores, passando das mais escuras às mais suaves. É uma técnica de tingimento bastante utilizada no setor têxtil.

Composição: diversos tecidos podem apresentar a estampa degradê, mas os mais comuns são musseline, gazar e alguns cetins com elastano.

Caimento: vai depender muito do tecido escolhido.

Utilização: costuma-se usar essa estampa em peças casuais como camisas e blusinhas, mas também é possível confeccionar vestidos de festa belíssimos com ela.

FORROS

São os tecidos utilizados por baixo do tecido principal. Ajudam a dar acabamento e volume às roupas e garantem também o conforto da peça.

Composição: os tecidos mais utilizados como forro são o cetim, o shantung, o tafetá, o chiffon e o crepe.

Caimento: vai depender muito do tecido escolhido.

Utilização: todas as peças da Moda Festa e Moda Noiva pedem um forro, além de ternos, blazer e algumas peças de alfaiataria.

*DICA DE COSTUREIRA: Para peças que não ficam em contato direto com a pele, é possível usar forros de tecidos mais sintéticos, como o tafetá. Para dar um bom acabamento aos vestidos, prefira o chiffon. Já para a primeira saia de um vestido transparente, os mais indicados são o cetim com elastano, o cetim toque de seda, o crepe Nuage e Lorraine, que são acetinados, dão um bom caimento e não ficam grudando nas pernas.

GAZAR

É um tecido bastante antigo. Acredita-se que o nome seja proveniente de uma cidade chamada “Gaza”, onde o tecido teria sido criado.

Composição: é um tecido fino, leve, transparente e arejado. Pode ser composto por 100% poliéster ou pode ser de seda pura.

Caimento: é um tecido fluido, que fica armado com mais facilidade, mas que tem movimento.

Utilização: é muito usado para fazer vestidos de noivas, saias esvoaçantes e também camisas com a gola mais estruturada.

*DICA DE COSTUREIRA: Quando colocados lado a lado, o gazar de poliéster e o gazar de fibra natural são muito parecidos. Por isso, para vestidos de festa, prefira o gazar sintético. Além de ser mais durável, ele chega a custar 1/3 da fibra natural.

JACQUARD

Uma invenção do mecânico Joseph Marie Jacquired! O jacquard é fruto de um sistema de tear automático desenvolvido pelo francês no final do século XVIII. Esse sistema cria um tecido com estampas coloridas, diferentes, complexas e com relevo, originárias do entrelaçamento dos fios. Para que os desenhos sejam feitos, uma série de cartões automáticos perfurados programa cada movimento.

Composição: os desenhos do jacquard podem ser feitos com fios metalizados, com fios em seda ou em algodão.

Caimento: é um tecido mais grosso, que não precisa de forro.

Utilização: pode ser utilizado na Moda Festa e também na Moda Casual. A diferença está no material. Aqueles com fios metalizados são mais usados para a confecção de vestidos, já os mistos em algodão servem também para a moda casual. Você pode fazer calça, macaquinho, colete, tubinho, saia. Até no terno masculino ele pode ser usado!


A lã é uma fibra natural derivada do pelo das ovelhas e dos carneiros. Já era utilizada na Idade Antiga pelos povos nômades como agasalho, mas a Mesopotâmia (atual Iraque) foi a pioneira na domesticação destes animais e, por isso, suas lãs se tornaram famosas. Não demorou para que ela se tornasse a principal fibra da Europa, conquistando as cortes. É um tecido com bom isolamento térmico: não aquece muito sob o sol, mantendo a temperatura corporal mais baixa em comparação com tecidos sintéticos. Também não amassa e é bastante confortável.

Composição: temos as lãs puras (naturais) e as lãs mistas, também chamadas de acrílicas. As mistas podem combinar poliéster com elastano, poliéster com lã pura e podem ser 100% poliéster.

Caimento: a lã pura é mais pesada, já a lã mista costuma ser mais leve e versátil.

Utilização: para casacos grandes de inverno, utiliza-se a lã pura. Já a lã mista está presente também em blusas mais finas, de meia-estação. Também é possível fazer vestidos e saias de lã.

LUREX

O lurex ganhou destaque nos anos 80, época em que o brilho estava em alta. No Brasil, a novela Dancin' Days foi quem popularizou este tecido.

Composição: é um tecido com fio metalizado ou com uma aplicação de glitter no estilo dourado, ouro ou bronze. Quando o brilho é aplicado, a base geralmente é malha. O fio de lurex não oxida, não perde o brilho e nem a cor, mesmo sob a ação da umidade do ar e do calor do corpo.

Caimento: possui um bom caimento, semelhante às malharias. É confortável e versátil e pode ser mais leve ou mais pesado, dependendo do fio utilizado.

Utilização: é muito comum vermos o lurex em vestidos, casacos, blusas e até mesmo mantas e cortinas.

MALHAS

As malharias estão entre os tecidos mais antigos do mundo. É difícil definir com precisão quando elas surgiram, mas sabe-se que em 1.000 a.C. já existiam calções de malha usados em escavações no Egito.
Até o século XVI, toda a produção de tecidos de malha era manual, e isso só mudou com a invenção de uma máquina de tricotar idealizada por Willian Lee, um pastor que queria auxiliar sua esposa na produção dos tecidos.

Composição: é composta por fios entrelaçados, onde, cada laçada que se forma passa dentro da laçada formada anteriormente, sem que haja um ponto fixo de ligação entre elas.

Caimento: é um tecido bem maleável, que estica bastante e não amassa.

Utilização: por ser bem versátil, é um tecido que permite dezenas de utilizações, especialmente na moda casual. Pode-se fazer roupas íntimas, pijamas, agasalhos, uniformes, moda praia, calções e várias outras peças com ele.

MUSSELINE

Este tecido tem sua origem em Dhaka, Bangladesh, mas recebeu este nome pois era na cidade de “Mossul”, no Iraque, que ele era encontrado pelos comerciantes.

Composição: é um tecido muito leve, transparente, com toque macio e delicado. Pode possuir fios de seda, acetato, viscose, algodão, poliéster ou poliamida com torções elevadas.

Caimento: é fluido, fica soltinho no corpo e não enruga.

Utilização: saias esvoaçantes sociais, geralmente, são feitas com musselini.

ORGANZA

O nome se origina do francês, mas é um tecido originário da Rússia, da região do antigo Turquistão, lugar famoso pelo comércio de seda na antiguidade.

Composição: é um tecido leve, rígido e transparente, feito de seda ou fibras sintéticas. Pode ser customizado com cores, bordados e texturas.

Caimento: é usado para fazer peças que necessitam de volume, já que é um tecido extremamente armado.

Utilização: a organza é bastante utilizada para fazer babados, caracóis e godês. Também é usada na confecção de vestidos de daminhas e debutantes e ainda pode aparecer na decoração de ambientes, por ser um tecido de custo baixo e com leve brilho.

*DICA DE COSTUREIRA: Este tecido é indicado para fazer uma saia por baixo de saias de tule.

PAETÊS

O paetê, nada mais é, do que o tecido coberto com lantejoulas. E essa é exatamente a tradução do termo francês pailleté que originou o nome. Há registros de que a lantejoula já era utilizada no ano 2.000 a.C. e, naquela época, adornava as roupas de reis e rainhas para demonstrar poder e riqueza. Nos anos 1900, Algy Lieberman começou a produzir as lantejoulas de plástico nos Estados Unidos, e a partir daí elas se popularizaram. Na moda, a primeira aparição do paetê aconteceu em 1940 nas peças de Coco Chanel e Paul Poiret.

Composição: as lantejoulas que compõem o paetê são feitas de vinil, mas a base onde elas são aplicadas pode variar bastante, mas normalmente é tule ou malha.

Caimento: as peças com lantejoulas aplicadas de maneira mais espaçada costumam ser mais leves. Já aquelas com paetês cobrindo toda a base do tecido tendem a ficar um pouco mais pesadas.

Utilização: os paetês com lantejoulas costuradas são bastante usados na Moda Festa. Já as peças com lantejoulas coladas costumam aparecer em fantasias.

POÁ

Existem diferentes versões para a história do poá. Alguns dizem que imigrantes do leste europeu o teriam inventado, inspirados por um ritmo musical chamado Polka, cuja coreografia era carregada de movimentos circulares. Outros dizem que foi Walt Disney quem criou a estampa, em 1928, para ser utilizada pela personagem Minnie Mouse. O fato é que foram nos anos 1950 que as ‘bolinhas’ fizeram sucesso e se consagraram como uma das estampas clássicas e atemporais da moda.

Composição: é possível encontrar a estampa póa em tecidos de algodão e também diversos tecidos sintéticos.

Caimento: vai depender muito do tecido escolhido.

Utilização: costuma aparecer no vestuário feminino em blusas, casacos, saias, calças, vestidos e até na moda praia.

RENDAS

As rendas surgiram no fim da Idade Média, sobretudo na França, Itália, Inglaterra e Alemanha. Chegaram ao Brasil no século XVIII, através das famílias portuguesas colonizadoras. Existem dois principais tipos de rendas: a de agulha, que é confeccionada dando-se laçadas com o fio, em pontos simples ou complexos, o que resulta em desenhos mais padronizados; e a de Bilros, que é formada pelo cruzamento sucessivo ou entremeado dos fios, feito sobre o pique - um cartão onde está o decalque do desenhos – com a ajuda dos bilros, um artefato de madeira onde são enrolados os fios.

Composição: não importa o tipo de tecido. Se existe um fio bordando este tecido, ele é uma renda. As mais comuns são as rendas de algodão e poliéster que são bordadas sobre tules e telas e ainda podem ser rebordadas com pedrarias.

Caimento: as rendas podem ser aplicadas em diversos tecidos e a escolha desses tecidos vai determinar seu caimento.

Utilização: é a principal escolha para a Moda Festa e a Moda Noiva, apesar de ser bastante utilizada também na moda casual. Para as noivas, as rendas costumam ser de duas cores: branco natural, também chamado de off-white e o branco ótico, que é aquele bem branco.

*DICA DE COSTUREIRA: Quando uma noiva, formanda ou convidada deseja confeccionar um vestido onde será preciso recortar a renda para depois aplica-la, é preciso observar se a renda escolhida combina com o modelo do vestido. Para quem prefere as rendas mais delicadas e finas, sem muito relevo, a dica é apostar nas rendas francesas. Essa é mais difícil de aplicar e requer muita habilidade por parte da costureira para evitar que rebite. Já a aplicação da renda em relevo é mais simples.

SEDA

É a fibra natural obtida a partir do bicho-da-seda. Este inseto produz um filamento contínuo de proteína que dá origem a um tecido resiste e muito macio. É uma das matérias-primas mais caras do mundo. Acredita-se que tenha sido descoberta por uma imperatriz chinesa por volta do ano 2.700 a.C..

Composição: é a fibra natural usada na composição de diversos tecidos como musseline e gazar.

Caimento: possui um excelente caimento e costuma ser utilizado em peças mais soltinhas e que não ficam muito justas ao corpo.

Utilização: é o mais nobre dos tecidos. É utilizado na moda festa, mas por ser uma fibra natural, as peças em seda 100% não costumam ser usadas repetidas vezes.

TAFETÁ

É um tecido que originou-se na Pérsia (Irã) no século XVI. Seu nome é uma derivação da palavra persa “Taftah”. Antigamente, era utilizado pelas mulheres ricas por ser um tecido de luxo, mas hoje já é mais popular e acessível a todas as pessoas.

Composição: ele pode ser 100% poliéster, misto com seda e 100% seda. Também existem tafetás com e sem elastano.

Caimento: é um tecido mais sequinho, que arma um pouco, mas ainda assim possui um bom caimento. Pode ser mais leve ou mais volumoso, dependendo da composição.

Utilização: é bastante utilizado na Moda Festa, tanto para homens quanto para mulheres.

*DICA DE COSTUREIRA: As mulheres que gostam dos vestidos no corte sereia podem optar por um tafetá com elastano, que vai modelar muito bem as curvas do corpo. E os homens também podem ousar e escolher o tafetá para blazers e calças.

TECIDOS ESTAMPADOS

As estampas foram produzidas, primeiramente, pelos fenícios, uma civilização da Antiguidade que se localizava onde hoje estão Líbano, Síria e o pedaço norte de Israel. Porém, os tecidos estampados só começaram a ser utilizados na Europa depois do século XVII. Existem diferentes métodos e técnicas de estamparia, sendo que o uso de blocos de madeiras é o mais antigo.

Composição: está presente em quase todos os tipos de tecidos: algodão, musseline, crepe, devore, chiffon.

Caimento: vai depender muito do tecido escolhido.

Utilização: é possível utilizar tecidos estampados em quase todas as peças, sejam elas mais sociais, esportivas ou casuais.

*DICA DE COSTUREIRA: Para roupas sociais, a dica é apostar em estampas mais localizadas e discretas. Já para peças esportivas, as estampas coloridas estão liberadas.

TRICOLINE

É um tecido de construção em tela, produzido com finos fios de algodão penteado mercerizado. É fácil de cuidar e amassa pouco.

Composição: é um tecido 100% algodão com elastano.

Caimento: possui ótimo caimento, além de oferecer conforto térmico, com absorção do suor e também conforto nos movimentos, devido à presença de elastano.

Utilização: é usado, basicamente, na linha de camisaria, tanto masculina quanto feminina; e também é bastante indicado para a confecção de uniformes.

TULES E TELAS BORDADAS

O tule surgiu por volta dos anos 1700 em uma cidade francesa chamada Tulle e desde os anos 1800 já era utilizado nos figurinos de ballet.

Composição: o tule é um tecido construído com fios entrelaçados que criam uma rede transparente, mas bastante firme e estável. Pode ser de malha, ilusion e de armação. A tela é bem parecida, mas seus fios se entrelaçam de maneira mais espaçada, o que torna as tramas do tecido mais abertas.

Caimento: o tule de malha acaba sendo mais flexível e molinho do que os demais, e o de armação confere bastante volume às peças.

Utilização: os tules e as telas bordadas estão presentes, sobretudo, na Moda Festa. Podem compor apenas algumas partes de um vestido, como as mangas, ou podem estar por todo ele.

VELUDO

É um tecido bastante antigo. Sua origem remonta aos séculos X e XV e há registros de que tenha sido criado na Índia, apesar de ter sido fabricado exclusivamente na Itália durante um longo período.

Composição: qualquer tecido que apresenta pelos curtos e tem o aspecto aveludado pode ser considerado um veludo. Normalmente, esse veludo é aplicado sobre uma trama de algodão. Existem vários tipos de veludos: liso, cotelê, alemão.

Caimento: é um tecido quentinho e um pouco mais pesado, mas com ótimo caimento para diversas peças.

Utilização: pode ser usado para confeccionar vestidos, calças, paletós, saias, coletes, macaquinhos e até mesmo na alfaiataria masculina, como estampa no tecido no jacquard.

*DICA DE COSTUREIRA: Independentemente do tipo de veludo escolhido, lembre-se de mantê-lo bem longe do ferro de passar! Isso é muito importante na hora da confecção. Se o ferro quente encostar no veludo, ele deixa uma marca irreversível.

VISCOSE

É a primeira fibra têxtil artificial. A viscose é produzida a partir de um elemento natural que é o linter da semente do algodão e teve sua produção iniciada em 1905.

Composição: é fibra artificial e costuma dar origem à tecidos lisos e estampados.

Caimento: é um tecido leve e fresco, que apresenta bastante caimento.

Utilização: este é um tecido mais usado para a confecção daquelas roupas do dia a dia. É altamente indicado para o verão e para roupas esportivas, mas também aparece sempre em saias longas, vestidos, blusinhas, regatas e camisetes.

XADREZ

Lá na Idade do Ferro (50 a.C.) o xadrez já existia, porém há quem diga que essa estampa foi inventada por proprietários de terras na Escócia, durante o século XIX, para identificar os clãs.

Composição: pode estar presente em tecidos como o algodão, tafetá e chiffon.

Caimento: vai depender muito do tecido escolhido.

Utilização: é usado mais na Moda Casual e nos trajes Esporte Fino masculinos, mas é uma estampa clássica e que nunca sai totalmente de moda.

SHANTUNG

É um tecido originário da província chinesa Chantung.

Composição: é produzido com fio de seda ou de poliéster e apresenta sempre pequenas saliências, como se fossem pequenos arranhões. Pode apresentar elastano.

Caimento: é um tecido leve e mole, apesar de ser um pouco mais grosso.

Utilização: é bastante utilizado na Moda Festa para confeccionar saias e vestidos. Homens não utilizam este tecido.

ZIBELINE

O nome tem origem francesa, apesar de não se ter notícia de sua real origem.

Composição: pode ser feito a partir da seda pura ou pode ser artificial. Tem leve brilho acetinado.

Caimento: é um pouco mais grosso, firme e estruturado do que tecidos como o crepe, mas possui bom caimento.

Utilização: é indicado para a Moda Festa e Moda Noiva, especialmente nos tons brancos e off-white. Serve tanto para saias amplas no godê como para o modelo sereia. Também é possível confeccionar calças e vestidos tubinhos com ele.

*DICA DE COSTUREIRA: Quando usado para modelos de vestido sereia, é indicado que o zibeline seja, todo ele, entretelado, ainda antes do corte, com uma entretela bem adesiva. Isso valoriza a peça. As costuras ficam mais lisas e com um acabamento melhor.